Cresce número de matrículas em cursos a distancia
Censo da Educação Superior aponta aumento de 96,9% entre 2007 e 2008
Publicado em 02/12/2009 - 18:00
A+ | A- | | Matrículas em cursos superiores a distância crescem 96,9% entre 2007 e 2008. Os dados são do Censo da Educação Superior 2008, recentemente divulgado pelo Inep/MEC (Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira). Com a expansão, a modalidade passou a representar 14,3% do total de matrículas no setor.
O número das matrículas, segundo o levantamento, foi impulsionado pelo aumento da participação das instituições de Ensino Superior, bem como das opções de cursos na modalidade. Em 2008, 18 novas IES passaram a disponibilizar programas a distância, totalizando 115 unidades acadêmicas. Foram criados ainda 239 cursos, representando um aumento de 58,6% se comparado a 2007. Já o número de vagas registrou alta de 10,3%, com uma oferta de 158.419 vagas a mais. O panorama traçado dá seqüência ao crescimento disparado no setor desde 2003.
A alta foi ainda maior no número de concluintes em EAD, que representou aumento de 135%. Enquanto, em 2007, a modalidade a distância registrou a formação de 29.812 alunos, em 2008, esse número pulou para 70.068. Outro fator destacado pelo Inep foi o aumento da razão entre inscritos e vagas. Em 2007, a concorrência no setor foi calculada em 0,35 candidatos por vaga. No ano seguinte, essa relação foi de 0,41.
Tutores de EAD não entendem seu papel, diz pesquisadora
Acadêmica da defende ampliação do treinamento mudança em avaliação
Publicado em 04/12/2009 - 17:00
A+ | A- | | Pro Bruno Loturco, de Porto Alegre
A professora Mara Lúcia Fernandes Carneiro, da UFRGS (Universidade Federal do Rio Grande do Sul), afirmou que os tutores dos cursos de graduação a distância têm dificuldades em compreender seu papel no processo de ensino-aprendizagem. A crítica foi feita na palestra "Tutoria a distância: experiências e práticas", durante o seminário Novas Tendências em Ensino-Aprendizagem, organizado nesta sexta-feira, 4 de dezembro, pelo Universia Brasil em parceria com a UFRGS (Universidade Federal do Rio Grande do Sul). Clique aqui e acompanhe todas as notícias do seminário no hotsite do evento.
Segundo Mara Lúcia, suas pesquisas indicaram que os critérios de avaliação adotados pelos tutores são, muitas vezes, subjetivos. "Temos seis tutores atendendo a 250 alunos. Por isso, é necessário aproximar os critérios de avaliação, mas há dificuldade em estabelecer padrões", disse ela. Além disso, a professora aponta riscos decorrentes da aproximação entre tutores e alunos. Mara Lúcia acha que há dificuldade em estabelecer critérios para evitar os extremos da relação, para evitar que se torne paternalista ou formal demais, por exemplo.
Na avaliação de Mara Lúcia, esses problemas decorreriam da falta de treinamento do tutor, que teria de ter conhecimento tecnológico suficiente para entender e solucionar as dificuldades dos alunos relacionadas ao uso dos sistemas. "Tem de ter consciência de que, para o aluno que inicia o processo de aprendizado a distância, tudo é novo e haverá dificuldades dele no processo de adaptação e familiarização com o sistema", afirmou ela.
Em contrapartida, Mara Lúcia acredita que, mesmo quando há conhecimento tecnológico, os tutores muitas vezes são relegados ao segundo plano e não têm chance de se integrar à equipe de ensino. "Temos de pensar no tutor de maneira mais ampla e integrada para construir um processo melhor de ensino-aprendizagem", defendeu a professora.
A palestra de Mara Lúcia foi seguida pela apresentação da professora Eliane Schlemmer, da Unisinos (Universidade do Vale do Rio dos Sinos Unisinos), que abordou o tema Educação on-line em metaverso. Essa tecnologia possibilita a criação de ambientes e indivíduos virtuais que podem agir e interagir entre si. Como exemplos da tecnologia de metaverso, ela citou o Second Life, o OpenSimulator e o Sloodle, o último, software que integra o Second Life à plataforma de EAD (educação a distância) Moodle.
Ela preferiu substituir o termo EAD por ensino on-line, por considerar relativo o significado de distância. "Não entendo como distância, pois o que interessa é a comunicação com o aluno, sua presença intelectual. E isso consigo com esses ambientes virtuais", disse ela.
Um dos temas abordados pela professora foi a questão da identificação virtual de alunos e professores por meio de suas representações digitais, os chamados avatares. De acordo com Eliane, eles possibilitam a diminuição da sensação de solidão do aluno a distância, que pode interagir com colegas e professores em ambientes virtuais. "Quanto mais eu, como professora, me identifico com o meu avatar, mais me sinto livre para desenvolver o processo pedagógico", acredita ela.
Debate virtual
Na abertura do seminário, Ricardo Fasti, diretor-geral do Universia Brasil, destacou a importância do evento para a troca de experiências e aproveitou para anunciar o lançamento da comunidade virtual Universia Debate. "A idéia é fomentar discussões e debates. Espero transpor o evento para o ambiente multimídia, dando continuidade à interação e abrangendo outras universidades ibero-americanas", declarou ele.
Sergio Franco, secretário de EAD da UFRGS, comemorou o sucesso do evento, que, na visão dele, estimula a troca de experiências que não seriam necessariamente pautadas em novas tecnologias. "Não dá para pensar na continuidade do processo de ensino-aprendizagem sem a inclusão desses novos conceitos , pois são demandas das novas gerações", disse ele.
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